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Muito frio e ainda muito a aprender

Abra sua mente. Esqueça a vida. Coloque uma mochila nas costas e vá. Tem muita gente fabulosa que você nunca ouviu falar.

Pegue uma cerveja e vá conhecer…
Existe um mundo de historias de vida pra aprender. O muleke do intercâmbio, o mauricinho viajante, o canadense pobretão, o sergipano, o italiano, o chileno e o povo do Japão!

O Skype em japonês parece outro sistema, o celular carrega longe de você, a cidade romântica, o cemitério, as noitadas eletrônicas e o reggaeton esperam por você.

O cansaço fica latente, dormente, indecente, mas o aprendizado vem. E você pensa na risada em grupo, em duo, em comunidade, em festa e no bar… Quer pagar como? Todos precisam trabalhar.

Tem gente que trabalha pra viver. Hospedagem e comida e nada mais. Tem gente que trabalha como eu e você. Tem gente que vai estudar, pro congresso ou apenas pra conhecer o lugar.

Mas um turismo informal… Onde não importa conhecer todo o lugar. Vim aqui pra aprender, pra escutar.
Tô aqui pra falar espanhol, inglês, portunhol, portunhês, espanhês… Cadê o álcool pra eu falar melhor?

Dancei Abba no meio da Rua, aprendi a preparar o chimarrão. Fiz a transição dos países… De Porto a aeroporto. Do mercado negro ao hostel. Inté que não foi pouco não.

E ainda tenho muito dinheiro no banco. A percepção de tanto zero no câmbio, sabe como é, me inibiu.

Ainda tem muito mais a frente. As costas. Ao leste e a oeste. Mas “valle” dizer que jamais esquecerei a neve, o arrepio da paixão pela boca, o por do sol e o choro compulsivo no paraíso sacramentado e colonizado.

As pessoas, os sorrisos, as comidas, os amores, o choro… Falta pouco, falta muito… O saudosismo já está aqui!

Do verbo querer

Se apaixonar… Verbo intrasitivo ou transitando no mundo direto e indireto, vai lá saber.

Olhos cruzando, o calor passando pelo corpo e se alojando nas maçãs do rosto formando o verbo rubor. Virtualizar o romance se utilizando da internet ao seu favor.

Romancear, fantasiar, fetichear se assim for possível, se a palavra existir… Se não existir a gente inventa. E tenta. Vai que dar certo. Vai que não dá.

E dá! Sempre dá! Quando não dá a gente inventa, pensa, repensa. Repense sua ingenuidade pra ser feliz. Felicidade é amar. Amar é viver. Viver é ser feliz. Eis o ciclo da vida. Eis o ciclo que eu sempre quis.

Mas pra quê ingenuidade em alguém que clama pela chama da paixão. E chove rios pela partes escondidas do corpo, como chafariz. E se ouriça os montes de meu corpo marcando a blusa colada ao corpo e exposta ao mundo.

Se esconder é necessário! Que o corpo não reclame a necessidade tão longe e ao mesmo tempo tão perto de ti. E o romance tão distante de mim, e o romance tão distante de ti, e de nós.

Espere que eu volte. Anseie minha volta. Me queira como da primeira vez. Romanceie comigo, me queira, me ame. Apele ao meu corpo e esqueça a ingenuidade que precisamos para e pela sociedade.

A ingenuidade é super estimada. A paixão está a nossa porta. Deixe a porta se abrir. Ou a feche e me deixe aqui na intransitividade.

Pernas expressas

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Demorei a me entender. Quem era eu ali? O que faria eu? Não era cliente, não era um belo par de pernas… Era alguém que ali não cabia, não sabia muito bem o que fazia.

Em um país estranho, aquele não era um café tradicional, não era uma boate, não era um bar… Como definir? Como alguém pensou em um lugar como aquele? Eu não era ninguém mas observava pelos espelhos os homens que respeitosamente passavam suas mãos entre a cintura e o quadril sem passar do limite do micro biquíni, sexy mas muito comum em Copacabana, no leme até o pontal.

A bunda da Colombiana nos rodeava, a luz com pontos marcavam nosso rosto, e piscavam, e piscavam. Na televisão o som era escolhido em uma maquina que parecia bingo, mas não era bingo… Ja Rule dava o tom.

Na mesa, nada de “tragos”, nada de bons drinks, nada de álcool. Um expresso, uma pepsi, copos de água com água e nada mais. Mais nada.

Meus olhos não sabiam pra onde olhar. Mirava no espelho observando o jeito respeitoso e caliente do cliente. E minha cabeça girava. E minha cabeça pirava. Quebrei paradigmas. Como disse meu amigo que me acompanhava… No mínimo inusitado. Um inusitado incrível. Um inusitado novo. Um inusitado respeitoso rubor. Pra quê blush pra quem tem café e pra quem tem pernas?

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Sofro de verborragia

imagesFoi a vida… Foi essa coisinha que algumas pessoas dizem que é complicada que me ensinou a ser assim. Aprendi a ser prática, aprendi a ser direta, aprendi a ser eficaz. Quem fica muito olhando por trás dos muros – ou sobe no muro – e não sabe o lado que irá optar, perde metade da brincadeira.

Tem gente que acha que aquele papo de “Carpe diem” é balela. Tem gente que acha que a vida é complicada, e não eles. Comigo não é assim. Comigo as palavras saem, a verdade sai e a diversão entra. Sei que muitas vezes as pessoas se assustam com isso, mas não entendo o porquê. Quando você é sincera, a vida fica tão mais simples. Quando você não joga, ou não tenta mudar as coisas pro que você deseja, você pode se surpreender. E vocês não imaginam quantas surpresas boas a vida já me deu. Deixar a vida na mão do destino, garante sorrisos, e eu vim nesse mundo só pela diversão.

Tudo bem que algumas vezes erro a dosagem do meu remédio e a verborragia sai mais forte do que deveria, mas a parte boa, é que só ficam aquelas pessoas que realmente gostam de você e que gostam disso. É um filtro! Uma peneira de açúcar confeiteiro e assim vou colecionando amigos. Amigos que adoram a sinceridade, vivem a sinceridade, vivem o carpe diem. Coleciono pessoas, também, que se acuam com meu jeito de ser. Mas essas não fazem falta… O importante é o ser eu mesma e as pessoas serem elas mesmas comigo. Assim mesmo, sem máscaras, sem medos, sem chove não mole. 

A única coisa que veio com a idade, deveria ser a diplomacia, mas foi a tranquilidade para conhecer mais as pessoas até me soltar e ser quem sou. Não criar máscaras, mas adiar a descoberta completa do que posso ou do que sou capaz. Adiando, acabo me expondo menos e me expondo pra quem merece ou parece merecer meu jeito expansivo de ser. 

Foi a vida… Foi a vida que me ensinou a ser assim. E, sabe de uma coisa? Me divirto muito sendo assim. 

A evolução das mulheres. A confusão dos homens.

ambrosio-sutia-2A mulher moderna é realmente estranha ao olhar de alguns homens. A sociedade machista trouxe uma visão a alguns do ideal submissa, caseira, doméstica e domesticada. A revolução feminina só veio dar um nó na cabeça desses pobres coitados, que já nos acham complicadas demais sem evolução, imagine evoluindo e alçando novos voos como atualmente.

Hoje conversava com meu melhor amigo e ele me falava da quebra de paradigmas que mulheres como eu, e outras amigas nossas em comum, tem causado em seu gosto e procura pela mulher ideal. Ele sempre se assumiu machista. Do tipo que busca a donzela que sabe manter as aparências, que sorri recatadamente e nunca sentaria numa mesa de bar. Mas isso era antes. Era antes dele ter amigas como nós. Modéstia parte falando, somos um modelo de mulher evoluída e ao mesmo tempo paradoxal.

A mulher de hoje em dia, aquela que estuda, aquela que trabalha, aquela que foi criada nos moldes familiares contemporâneos, carregam dentro de si uma chama do equilíbrio entre as maravilhas de ser homem e as doçuras do mundo feminino. Nós sentamos no bar, nós bebemos, rimos, mas ficamos envergonhadas quando alguém vem nos cantar. Discutimos teorias, lemos Bukowski e Marian Keyes quase que paralelamente. Nos empolgamos com um encontro, fazemos a unha e o cabelo e testamos todas as roupas do armário antes de sair com o rapaz; e se der na telha, falamos de sexo e não esquentamos sobre o limite do cara nos achar fácil ou algo mais.

Somos tão contraditórias que não buscamos o marido perfeito. Marido? Casamento? Até sonhamos com o vestido de noiva, nos derretemos ao ver uma criança linda a sorrir. E isso nada mais é que o lado meigo feminino aflorando mas sem desejar que isso seja uma realidade imediata ou algo assim.

Imagino o quanto é difícil pra um cara, como esse meu amigo, quebrar tantos paradigmas. Um ano atrás buscava um tipo de mulher, mas depois de conviver com amigas, como eu e outras mais, reviu seus (pré) conceitos e não consegue se encontrar em qual tipo de mulher é ideal almejar. Falei pra ele que pela sua veia de companheiro, jamais seria feliz com uma mulher dessas que anda um passo atrás. Aquela que anda ao lado, pela referência de quem ele é, seria bem mais complementar.

O que aprendi nessa conversa é o quanto se tornou difícil pra um homem entender e diferenciar o que é ser moderna, direta e separar com os seus conceitos de “pisteira”. Essa cultura social fez com que eles se perdessem na referência de qual é a “mulher de fé” e qual é a “periguete”. A linha é tão tênue que, as vezes, só com a convivência se tornou capaz de diferenciar. E a convivência leva a uma confusão de sentimentos onde eles não sabem mais se são só amigos ou algo mais.

Talvez isso valha como aprendizado pra nós mulheres tentarmos entender mais a confusão dos homens e pararmos de julgá-los como retrógrados ou machistas. Na verdade, eles só precisam de tempo pra entender quem a gente realmente é. O problema é que muitas vezes nem nós mesmos sabemos essa resposta, mas essa questão fica pra um outro texto.

Sou preta e favelada…

banho-11Tinha exatos 14 anos quando comecei a gostar de funk. Nos tempos áureos dos banhos de espuma, do Mc Marcinho namorando a Cacau. Sou do tempo que Claudinho e Bochecha começavam a cantar “Gatinhaaaaaa” e todas as adolescentes piravam com o romantismo do local.

Lembro de ter pedido a minha mãe para ir ao baile funk. Um baile no iate clube de Saqua. Ela não deixou. Tinha medo da violência que era associada facilmente aos bailes da minha época. Mas, mesmo não indo ao baile, o funk jamais saiu da minha veia.

Uma veia nerd, é verdade, mas uma veia de quem tinha – e ainda tem – quadril solto e adorava rebolar até o chão. E eu rebolava, não por sensualidade, ou pra pegar alguém… Eu rebolava pois meu gingado me exigia isso. A batida do funk fazia minhas mãos irem ao joelho, meu quadril se inquietar e meu sorriso abrir de forma espontânea, sem sair do lugar.

Um ano se passou… Começaram as festas na quadra do Colégio Washington Luís. Eu já era grandinha… E frequentava até meus pés latejarem de tanto dançar. Detalhe… Nunca tinha beijado ninguém. Era a famosa “BV”, certinha, nerdinha, que só queria mexer, só queria descer e nem podia beber. Ou seja, se funk é, e sempre foi, sensualidade, eu era ingênua demais pra descobrir. Pra vocês terem ideia, só fui beijar na boca 2 anos depois do meu primeiro baile funk.

O que aprendi, sendo uma nerd funkeira, é entender a lógica das pessoas quando dizem não gostar de funk. Respeito suas alegações. Respeito o não gostar, ou o gostar de algo. Eu, por exemplo, não suporto música sertaneja e eletrônica. Não critico quem gosta. Mas eu, pessoalmente, não consigo entender ou gostar de ouvir – e até dançar – músicas assim. Ao mesmo tempo, não associo música sertaneja a gente caipira, não associo música eletrônica a drogas sintéticas… Apesar de saber que existem pessoas que participam do estereótipo, cada um sabe de si, cada um que decida por si. Quem sou eu pra dizer algo de alguém ou de alguma coisa?

Acho que, por pensar assim, não consigo entender a lógica das pessoas ao bradar aos quatro cantos os estereótipos que associam ao funk. Funk é coisa de mulher vagabunda… De machista… De mulher pisteira. Como se só no funk existisse putaria. Meu amigo, fica aqui um conselho, putaria existe em qualquer lugar… Onde existir ser humano, vai existir a putaria. Tudo depende do que você quer de lá.

Será que é tão difícil respeitar que os gostos são diferentes e que isso não rotula ninguém? Os rótulos são as piores amarras que você pode trazer a alguém, pois por essas amarras as pessoas não se permitem assumir quem são ou experimentar coisas diferentes para, assim, poder realmente afirmar se gostam ou não de alguma coisa.

Curto rock, já fui punk rock, curto samba, tô toda sexta na Pedra do Sal, curto funk, e me acabo quando toca o batidão. E mesmo assim, não sou funkeira, não sou rockeira, não sou passista de escola de samba. Prazer, me chamo Renata; quer vir comigo venha… E se quiser me ensinar sobre sertanejo e eletrônico, estamos aí pra aprender a apreciar.

Rei dos clichês

imgresClichês são expressões que de tão usadas se tornaram banalizadas. Coisas que se falam e que já foram ditas milhares e milhares de vezes… Que não possuem a graça da originalidade e da novidade. Mas será que a originalidade não está super estimada? Dizer que ama, que sonha com você e fala seu nome durante a noite… Até a péssima fala “deveríamos ter nos conhecido alguns anos antes”. Todas esses são clichês clássicos. Dito pelos mais malandros… Pronunciado pelos lábios mais impuros do amor. Mesmo assim, nenhuma mulher, até as – aparentemente – mais independentes como eu, se derretem ao ouvir frases como estas.

Para atração é necessário apenas olhar e sentir a química correr pela veia. Mas para aquele homem ocupar sua mente, é necessário que ele aja como se você fosse a mulher mais importante, mais especial e mais incrível quando vocês estão juntos. Naquele momento só existem você e ele, e nos clichês, nas palavras soltas ao vento ele demonstra isso muito bem. O que deveriam ser, então, apenas palavras, se transformam ecos na sua mente.

Clássicos da literatura e do cinema se tornam clássicos pois permeiam sua mente e te fazem pensar e repensar em tudo aquilo. Clichês são como clássicos, só que com uma diferença… Foram ditas pra você.

Tem gente que alega que existem homens bonzinhos… Que eles são os grandes poetas dos clichês. Que mulheres não gostam dos bonzinhos. Discordo veementemente dessa afirmação. Nós não gostamos da insegurança, da falta de personalidade, da falta de individualidade de alguns caras que fazem questão de, não é só correr atrás, mas sim de se humilhar e colocar você em um pedestal até pra você inatingível. Clichês não são marcas desse tipo de homem. Os bonzinhos podem até proferir os clichês, mas os malandros também o usam com a magestria de ocupar sua mente e coração.

Dia desses conversei com um mestre dos clichês. Um dos caras que tenho o prazer de ter me encantado a alguns meses atrás. E ele conseguiu falar todos os clichês em um segundo. E as lágrimas escorreram em seus olhos. E eu mais uma vez fiquei encantada em escutá-lo. Ele me lembrou que fazia 6 meses que não nos falávamos e eu agradeci a ele pois naquela época eu era ainda mais dura e avessa a relacionamentos, mas graças aos seus clichês, voltei a abrir meu coração ao amor. Contei a ele que me apaixonei nesses meses que não nos encontramos e ele pediu pra eu dizer como a pessoa era. Expliquei a profissão e que curtia rock… Nessa hora ele me surpreendeu e disse: “Renata, você não é uma mulher para rótulos… Você nunca vai dar certo com alguém que tenha na mente uma só direção. Você é do vento, do sorriso, do momento e do coração. Se o cara não for eclético, não for autêntico ao ponto de se divertir em qualquer circunstância… Corra. Ele não é pra você.”

E agora estou eu aqui pensando como em um mês esse rei dos clichês, das frases feitas e com características de uma pessoa que nunca faria parte do meu metiê, conseguiu me ler, falar aquilo que eu precisava ouvir (ou que eu queria ouvir, vai lá saber), me fazer encantar por ele e ainda me direcionar pro caminho que devo seguir.

Poucas palavras me restam nessa tempestade cerebral que me consome. Acho que só me resta honrá-lo em um texto. Acho que só posso agradecer. É o que me resta. Vai saber.

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